Se observarmos com atenção, em nossas caminhadas por ruas e praças de nossa cidade, perceberemos muito lixo espalhado pelo chão. Muitos materiais recicláveis, colocados em qualquer lugar, contaminando rios, solos e lençóis freáticos com o chorume – o líquido tóxico que o lixo produz – entupindo bueiros e se acumulando nas galerias subterrâneas para onde escoa a água da chuva, reduzindo sua vazão e causando inundações.

Cenários sujos, criadores dos mosquitos da dengue e também atraindo inúmeros animais veiculadores de doenças. As águas correm para os rios e os rios correm para o mar e assim vai sendo levado o nosso lixo de cada dia, criando uma rede perversa gerada pelo excesso de consumo, irresponsável e destruidor da biodiversidade. Muitos materiais ficarão expostos ao ar livre, alguns durante centenas de anos, sem se decomporem.

lixo nosso de cada dia

 

A propaganda nos incentiva a comprar coisas e mais coisas e a descartar rapidamente para comprar novamente. A quantidade de lixo gerada mundialmente por ano é de mais de 400 milhões de toneladas e a pergunta que fica é: quanto cada um de nós gera quanto diariamente? O que fazer e onde colocar?

Muitos já conhecem as palavras reduzir, reaproveitar e reciclar, excelentes alternativas para amenizar o problema. No entanto, tão importante quanto a ideia da seleção do lixo e a sua reciclagem, é criarmos a consciência de produzirmos menos lixo, frearmos esse consumismo que está destruindo o planeta e também nossa própria vida e das gerações que virão.

Nos últimos anos, muito foi debatido sobre este problema e foram criadas políticas públicas que obrigam os poderes públicos locais a implantarem, nos municípios, programas regulares de coleta seletiva dos resíduos gerados pelo consumo da população e dar-lhes um destino adequado. Mas a população tem igualmente o compromisso de fazer a sua parte.

Quando alguém descarta sofá, cadeiras, camas, colchões e tudo mais em qualquer lugar, inclusive ao longo das calçadas nas ruas, não há política pública que possa manter a cidade limpa. Este tipo de comportamento aumentou muito ultimamente em São Leopoldo e a gente percebe que não é “privilégio” de uma classe social.

Já constatei pessoalmente carroceiros de sucatas praticando isto, mas também caminhonetes de luxo, na maior tranquilidade, descarregar móveis usados à beira de ruas. Isto revela não só uma falta de educação ambiental, mas uma grande falta de educação, em sentido geral, pois se o planeta é a nossa casa, desta a gente precisa cuidar!

Segundo Leonardo Boff, escritor e teólogo, “a terra não precisa de nós. Nós precisamos da terra”. Sendo assim, cuidar desta terra é cuidar de nossa vida! Reciclar é economizar energia, poupar recursos naturais e trazer de volta ao ciclo produtivo o que jogamos fora. As famílias de catadores de materiais recicláveis agradecem!

Se você nunca pensou no assunto ou não se envolveu com ele até agora, que tal se comprometer com esta importante tarefa? Certamente te sentirás como alguém que cuida não só da qualidade de tua vida, mas também a de todos os outros seres vivos, bem como daqueles que virão depois de nós. Cada um escreve sua história e vai embora, mas a Terra continua.

Marilene Loss Bobsin & Alcido Arnold, conselheiros da União Protetora do Ambiente Natural