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UPAN: NÃO VAMOS DEIXAR MORRER ESSA HISTÓRIA

fevereiro | 2015

A União Protetora do Ambiente Natural (UPAN), entidade ecológica com base em São Leopoldo-RS, é a segunda entidade ambientalista mais antiga da América Latina ainda em atividade. Com origem na UPN e tendo como patrono Henrique Luís Roessler, é uma associação de pessoas que, desde 1971, busca contribuir para um ambiente natural mais equilibrado e sustentável.

Em mais de 40 anos, muitas foram as realizações através dessa entidade, as quais quais cabe apontar, a título de ilustração, que foi através da UPAN que originou-se a própria Secretaria de Meio Ambiente de São Leopoldo. A UPAN também atuou decisivamente para a formação do primeiro comitê de bacia hidrográfica do Brasil, o Comitesinos. Foi também do trabalho de associados que ajudou na formação da primeira cooperativa de reciclagem de São Leopoldo: a Cooperesíduos.

Esses são apenas 3 exemplos de realizações que foram possíveis através do trabalho de um grupo de pessoas atuando sobre a bandeira da proteção ao meio ambiente. Além disso, a UPAN tem uma boa reputação e goza de um histórico ilibado na gestão de recursos e operacionalização de projetos em parceria com entidades nacionais e internacionais.

Mas isso tudo, você talvez já saiba, com maior ou menor profundidade. Entretanto, o que ninguém pode afirmar com certeza é qual o limite para a ação de uma entidade do porte da UPAN.

Qualificada como OSCIP junto ao Ministério da Justiça, a UPAN está habilitada a receber verbas do orçamento da União tal qual uma prefeitura ou outro ente governamental para manter atividades permanentes, como uma Escola de Educação Ambiental ou um programa permanente de cultivo e plantio de árvores, por exemplo.

Nesse mesmo sentido, a fiscalização e o respeito a conformidade legal é outra imensa área de atuação para a UPAN. Outro exemplo foi o fato de que, em 1986, a UPAN foi uma das responsáveis por barrar que o Brasil importasse carne contaminada no acidente nuclear em Chernobyl. É difícil, portanto, saber ao certo, nos dias atuais, o que poderia melhorar com uma fiscalização maior e mais ampla do poder público e da atuação das empresas por parte de uma entidade ecológica forte.

Num momento em que, cada vez mais, as condições ambientais agravam-se a olhos vistos, é preciso entender que somente a mudança vai nos levar de um contexto de crise ambiental para um modo de vida mais sustentável e em harmonia com o ambiente natural. E se é verdade que nos mais de 40 anos, a UPAN tem um grande rol de realizações, é também uma grande verdade que são imensos os desafios para manter e organizar o trabalho numa associação de pessoas, às vezes com visões de mundo e pensamentos tão diversos.

Então, esse é o objetivo do presente documento, registrar e apresentar algumas sugestões de debate, em tópicos, para a Assembléia Geral  Extraordinária dos Associados da UPAN que acontece no dia 26 de fevereiro:

  • Conselho Gestor: é necessário que os associados que forem compor o Conselho da Entidade possam dedicar-se, no mínimo, 4 horas semanais, aos expedientes de suporte e manutenção da entidade. Esse seria uma condição essencial para que as pessoas que respondem legalmente pela entidade possam articular e desenvolver mínimas linhas gerais de manutenção e atuação da entidade.
  • Grupos de Trabalho: Entretanto, não é somente esse pequeno colegiado que irá conseguir realizar todas as atividades necessárias para o crescimento da UPAN. Urge a criação e a operacionalização dos grupos de trabalho, um tema que já vem sendo discutido faz algum tempo. Talvez a estratégia seja mesclar nesses grupos algum representante do Conselho com associados e voluntários, como forma de oxigenar e dividir o trabalho.
  • Trabalho: Nesse mesmo sentido, é preciso haver um consenso de que trabalho voluntário é, antes de tudo, trabalho. E de que é simplesmente impossível levar adiante os desafios que tem uma entidade do porte da UPAN somente com algumas reuniões, vez por outra e somente através do trabalho voluntariado eventual. Não que a proposta seja tornar a UPAN um cabide de empregos, até pq não existe a receita para isso. Mas existe algum receio em se criar as condições necessárias para que a UPAN possa ter uma estrutura material e de pessoas do mesmo porte que tem aqueles que comprometem o meio ambiente com a sua atuação?
  • Profissionalização: Essa talvez seja um dos termos mais utilizados nos últimos tempos, nas reuniões de planejamento da UPAN. Mas como atingir esse estágio? Precisamos de mais prática do que teoria. A teoria é, talvez, a base para a ação, mas é somente na prática que é possível se comprovar ou não uma ideia ou projeto. E, infelizmente, existe muito pouca prática conjunta nos projetos da UPAN, o que deve ser uma prioridade da próxima gestão.
  • Urgência: Esse chamado à prática está intimamente ligado ao senso de urgência para a ação ecológica. Um exemplo vai nos ajudar a entender melhor: agora, os jornais estampam diariamente os níveis da água em São Paulo e muito se fala sobre a crise hídrica. Mas quase inexistem informações dizendo que o plantio de árvores para a formação de mata ciliar seria uma das alternativas, até mesmo para o Vale do Sinos. Existe muita desinformação e um espaço imenso para uma ação educadora junto a sociedade, empresas e entes governamentais.
  • Ego: Por último, mas não menos importante, é preciso abordar essa que talvez seja a maior chaga do movimento ambientalista: a supremacia do Ego. Muito se investiu tempo e energia em discussões sobre essa ou aquela pessoa nas reuniões da UPAN. Precisamos superar isso e se queremos fazer uma entidade ecológica forte e pujante, precisamos entender que todas as pessoas têm o seu valor. E que somente através do trabalho coletivo é possível maximizar as qualidades individuais e minimizar as deficiências que todos temos.

Essas reflexões e propostas tem como objetivo ajudar o debate que irá eleger a próxima Coordenação da UPAN. Também é nosso objetivo contrariar a todos aqueles que irresponsavelmente bradam que a UPAN deveria ser fechada. Para esses, respondemos que nós não vamos deixar morrer essa história!